Picutismo
6.23.2003
 
Picutismo na Burocracia
É fabulosa a presunção dos orgãos sociais jurídicos, em que o cidadão comum, sabe todos os processos necessários a aplicar para efectuar qualquer acto de defesa.
A acusação e aplicação de pena é directa e sem dúvidas. Não exige interacção do acusado, sendo que preferencialmente este deve submeter-se à justiça "cega" aplicada num país onde a palavra do cidadão comum, honesto e respeitador, vale tanto como os dejectos diários de um insecto enervante, para compensar o facto do violador da lei, em perfeita lucidez dos seus actos, que desafia a autoridade com sucesso e que quando, por acaso, perde o desafio, é compensado com penas insignificantes (comparativamente à gravidade dos actos), visto que não devemos oprimir as células que constituem a nossa sociedade doente.
É abolutamente maravilhoso o facto de que quando recebemos as notificações a informarem-nos das sanções que nos pretendem aplicar, somos informados com tanta eloquência dos meios que temos ao nosso dispôr para apresentar a nossa defesa. É-nos apresentada com tanta clareza o orgão a que nos devemos dirigir. É-nos mostrado sem sombra de dúvida do protocolo que temos de respeitar. Somos enviados, com tanta firmeza, ao local onde podemos verificar o destino das águas das nossas sanitas.
É espantoso como um processo, que em defesa do cidadão e da eficiência dos orgãos sociais e jurídicos, que deveria ser claro e acessível, tem obscuridade tal que são necessárias candeias formadas em advocacia para perceber a iliteracia que governa este país.

6.20.2003
 
Picutismo no Umbiguismo
Em Portugal, nos meios políticos e futebolisticos é comum surgirem novos termos linguisticos, sendo o mais recente o famoso "UMBIGUISMO" ! Não que eu tenha alguma coisa contra o surgimento de novas palavras na lingua portuguesa, pelo contrário, uma vez que é um sinal incontestável de que a nossa lingua está "viva". No entanto, ao ouvir no outro dia o programa de rádio do Francisco José Viegas na Antena 1, constatei que os "Blog Masters" que estavam a ser entrevistados usavam o referido termo recursivamente. A discussão sob o tema BLOG, roçava um pouco o "intelectual" e falavam com alguma presunção sob a ciência ou arte de ser um "BLOGER" (desde já informo que o meu conhecimento é demasiado limitado para conhecer os termos do meio, sou como se diz um simples "rookie" no que diz respeito a BLOGs).
No meio da discussão que se desenrolava no receptor de rádio do meu carro, havia qualquer coisa que me incomodava, e não era o próprio termo em si, mas sim a forma como o usavam. Talvez o toque elitista na utilização do termo como que a mostrar que ser um "BLOGER" é como ser um "e-Pacheco Pereira" - um cronista virtual sem papas na lí­ngua e que reconhece com o seu olho clínico de "expert" o que é um ser que sofre de "UMBIGUISMO", um ser quase omnisciente, crítico, que avalia tudo em redor de uma forma sublime onde o comum dos mortais apenas tem acesso para venerar.Mais, fiquei com a sensação de que apenas alguns podem criar os seus próprios termos, sem perigo de cairem no ridículo e certamente até premiados pelo esforço de contribuir para um mundo melhor.
Assumo perfeitamente que não seria esta a intenção dos intervenientes, mas o facto é que foi o que a minha mente assimilou. De tal forma que a minha vontade foi criar um novo termo ou palavra portuguesa, para perceber até que ponto este elitismo existe, se é que existe. Queria criar um termo que fosse essencialmente uma doutrina que destronasse todos os umbiguismos do mundo, e todos os elitistas da verdade. Queria...... "O Picutismo".
Bem, se calhar até já existe, mas segundo a minha pesquisa na net, tal termo é perfeitamente inexistente.E o que é que o Picutismo pretende ser, para além de dar o nome a este BLOG ?-)
Segundo os meus intentos, o Picutismo é a arte de ser picuinhas com o mundo que o rodeia :-). Num paralelismo com o acto de picotar (fazer furos em), picutismo não é mais do que a arte de fazer furos críticos e mordazes na sociedade que nos rodeia como forma de espicaçar a mente do cidadadão comum para uma realidade muitas vezes oculta (até pareço um cronista "e-Pacheco" :-))
Será que a moda pega ?

J.A. Navi

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